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Do boi-bumbá ao Wi-Fi
No dia 20 de setembro de
2006, Parintins assistiu a uma grande festa. Não foi o tradicional boi-bumbá o
mote da vez, mas o início do projeto de Cidade Digital na cidade amazonense,
com direito à presença de Craig Barett, presidente do conselho da Intel,
gigante da área de tecnologia da informação. Hoje, quase um ano e meio depois,
o projeto está consolidado, e tem na telemedicina e na recém-inaugurada Praça
Digital os carros-chefes.
Parintins é uma das cidades de médio porte mais isoladas do Brasil. Por ser
localizada bem no meio da floresta amazônica, seus quase 103 mil habitantes têm
de enfrentar cerca de 400
quilômetros para chegar até a capital do Estado, Manaus.
Usando o meio de transporte mais comum, o barco, a viagem leva quatro dias.
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Palavra do prefeito “A
chegada da internet no município abriu uma janela no meio do coração do
Amazonas para Parintins ver o mundo.” Bi Garcia
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Segundo o Censo de 2000,
nesse ano apenas 15,6% possuíam telefone e 1,1%, computador. Neste contexto,
falar em banda larga sem fio poderia parecer um sonho. Devido ao isolamento da
cidade, o sinal não chegava facilmente. Por estar no meio da floresta, poderia
corriqueiramente ser enfraquecido. Porém, não é isso o que tem
Segundo o prefeito Bi Garcia, o maior ganho visto até agora é o fato de "a
população ficar ligada com o mundo através desse sistema de internet em banda
larga, que atende a demandas nas áreas de educação e saúde, principalmente, com
a existência do centro de telemedicina."
O trabalho de implantação foi conjunto, envolvendo pesos pesados em diversas
áreas. A Intel, onde a idéia surgiu no âmbito de seu programa World
Ahead, fez a doação de equipamentos e colocou pessoal à disposição para
implementar. A Embratel cedeu o link de satélite para que a conexão chegasse à
cidade. O CPqD foi responsável pelo planejamento, projeto, especificação e
instalação da infovia de Parintins e da rede WLAN. A Fundação Bradesco fez, e
ainda faz, a capacitação à distância de profissionais da área de educação.
A Universidade da Amazônia (UFAM), a Escola de Medicina da Universidade de São
Paulo (USP) e a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) interagem nas ações de
telemedicina. A última ainda colabora com o treinamento dos alunos via
videoconferência. Proxim e Cisco cederam os equipamentos.
Muitos planos na área de educação
Parintins, hoje, tem banda larga em quatro escolas públicas, em um centro de
geração de renda (onde são ministradas aulas de inglês, espanhol e informática,
inclusive para turmas de indígenas), na biblioteca anexa e, finalmente, em um
centro de saúde. A mais recente inauguração de lugar público com conectividade
foi a Praça Digital. O lançamento se deu na festa de Ano Novo. O acesso na
praça é totalmente livre: qualquer pessoa com um computador móvel pode usar a
rede. Na praça, a velocidade de banda dedicada é de 512 kbps, sem limite por
usuário, "disponibilizando para cada pessoa o que ela precisar",
explica Francisco Romão Neto, técnico em informática da Intel responsável pela
rede digital do município.
A biblioteca anexa ao centro de geração de renda - chamada carinhosamente de
biblioteca virtual, por ser o espaço aonde as pessoas vão para fazer pesquisas
na internet - é o que hoje mais se aproxima de um telecentro. Diariamente
passam por lá de 100 a
120 pessoas que majoritariamente pesquisam na internet ou lêem email, segundo
Romão Neto.
O prefeito promete a inauguração de mais unidades do tipo. "Na praça,
estamos montando um quiosque que vai receber quatro equipamentos [computadores]
e se transformar em telecentro", informa Bi Garcia. Ele também adianta que
serão inaugurados laboratórios de informática em mais 25 escolas públicas da
cidade. Durante o dia, o uso será exclusivo dos alunos das escolas, mas à noite
a comunidade poderá utilizar. "Já temos a previsão de 500 equipamentos a
serem usados nestes locais", diz o prefeito. Ele promete ainda interligar
o porto e o aeroporto da cidade ao longo de 2008.
A infovia instalada em Parintins combina satélite (por onde chega o sinal de
fora da cidade), WiMax e Wi-Fi. Uma única torre espalha o sinal em 11 km de raio, chegando aos
5.952 km² da cidade, de acordo com Romão Neto. Antes, a cidade era atendida
somente com um ponto de internet via satélite do Governo Eletrônico Serviço de
Atendimento ao Cidadão (Gesac), programa do governo federal, e com um único
computador. A velocidade era de 64 kbps, pouco mais do que a de um acesso discado.
Atualmente, a velocidade da banda na cidade beira 1 megabit por segundo (mbps).
Foi esse conjunto que tornou viáveis as atividades de telemedicina. Os médicos
que atendem no centro de saúde podem, junto com especialistas da USP, fazer
consultas à distância, pedir opiniões, trocar impressões, etc.
"Conseguimos fazer videoconferência com quatro lugares diferentes, com um
mínimo de perda. Há um máximo de cinco segundos de atraso", atesta Romão
Neto.
O projeto de Parintins não prevê, do modo como está hoje, a chegada do sinal
Wi-Fi gratuitamente à casa das pessoas. "O projeto com a Intel é piloto.
Vamos expandindo pontos na cidade, até transformá-la em uma ilha digital",
explica o prefeito, dando esperança de que um dia Wi-Fi de graça nas casas seja
uma realidade. Para isso, informa, seria necessária uma segunda etapa do
projeto.
Para animar aqueles que pensam em se mudar para Parintins, ele lembra que
atualmente as áreas no entorno das escolas e da Praça Digital têm acesso
gratuito. "Quem está em volta consegue captar o sinal e, mesmo no caso das
redes das escolas, em que há senha, nós estamos liberando", avisa Bi
Garcia.
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Orgulhoso do projeto, ele
conta que municípios vizinhos têm ido à cidade para aprender com a experiência
de Parintins. "É algo muito novo", diz. É a cidade do boi-bumbá
ficando famosa também pelo Wi-Fi.









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